I'll always be...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Chuva de verão que assola o solo a todo dia, criando do barro lama para tornar escorregadio o caminho de todo o que se julga firme, é como o calor que em seguida aparece, fugindo do reino do crível na sua busca, sua ornada numa busca insólita pela solidez do firmamento.
Acontece que ao som não se presta contas, que o loiro aguarda como uma hiena, histérico em seu caminho e resoluto em sua decisão, com os olhos fechados numa pronta admiração, não deixando-se cair pelo que tende a lhe atropelar.

Frio como rocha, ríspido como pedra, o coração põe-se resolvido em um ponto que foge à razão, um fogo gelado que brilha em prol de mil condições, de letras e jargões, frases feitas em raros clarões, de uma luz cegante que muda o curso das águas onde quer que passe. Verdade seja dita, as boas histórias não foram feitas para serem escritas e sim contadas, e a dele está muito bem guardada, presa numa corrente que, pesada, não cessa de existir, não cessa de insistir, faz-se por meio de um emaranhado de emoções desordenadas, uma prole maligna de reações e memórias de um tempo existente apenas enquanto passado.

E vê por vezes sua alma deixar o corpo, sua essência largar a casca, sua vontade ficar aos ares, seu desejo tardar a sair dos mares, deixando a criatura a juntar os pedaços com os braços largos, montando aquilo que outrora lhe era dado como uma nova forma, desmontando e remontando, refazendo o corpo enquanto desfaz o emaranhado, briga com a mente e luta com o que sente, explora o novo e luta com o velho, renega ao que era e se entrega ao que é, buscando nisso tudo aquilo que um dia será, como um cego procurando uma sombra. Não aceitando a própria melancolia ou deixando fugir a harmonia alcançada, a paz duradoura que toma seus olhos esverdeados.

E o garoto loiro torna a olhar para as nuvens, procurando entre elas o sol que dá início ao verão, enquanto sente sob a chuva o abraço carinhoso dos céus a refrescar seu ser, acalmar seu âmago e, finalmente, lhe deixar ser.


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